3º encontro da Turma B do Curso Dandaras discute as políticas públicas para a população negra


Durante aula as alunas do Curso Dandaras debatem as políticas públicas voltadas para a população negra.

Um dia de debates e discussões sobre a luta do movimento negro  e suas estratégias para conquista  e efetivação de políticas públicas.


No dia 09/09, na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as alunas da turma B do Curso Dandaras debateram acerca da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Uma provocação gerada durante a disciplina “Saúde da População Negra”, ministrada por Elaine Oliveira Soares, Mestre em Saúde Coletiva e coordenadora da Área Técnica de Saúde da População Negra na Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre.


Elaine Oliveira Soares instiga as alunas a refletirem sobre os programas públicos de assistência a saúde da população negra.

As alunas durante a aula constataram que o SUS  é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo mas, a maioria das pessoas não sabe ou não conhece as ações e serviços promovidos pelo SUS. Ele engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os serviços de urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica. Mas a população em estado de vulnerabilidade, além de não conhecer o SUS, tem dificuldades para acessar os serviços das Unidades Básicas de Saúde (UBS) mesmo com todas as atividades que são realizadas pelas equipes de atendimento.

Essa questão do SUS não ser bem utilizado e aproveitado pelos usuários levou a um debate sobre as estratégias para suscitar uma mudança dessa realidade. Assim, as Dandaras formaram grupos para discutir o que poderiam fazer em seus territórios de saúde enquanto agentes políticas e multiplicadoras. E algumas questões surgiram, como por exemplo, a falta de um espaço com atendimento privativo de escuta e o despreparo de alguns agentes de saúde em relação aos serviços direcionados as mulheres transexuais. Também, discutiu-se como os corpos negros que tanto serviram como cuidadores podem ser ressignificados para garantirem seu auto-cuidado.

Entendendo o corpo como território de luta política

Mas afinal, como podemos entender o corpo como território de luta e resistência política? Essa reflexão se deu durante a aula da disciplina “Cultura, Corpo e Identidades”, ministrada por Daiana Santos, sanirista e educadora social. As alunas refletiram e expuseram como percebe a relação do corpo com a política. Refletindo como seus corpos são territórios de luta e resistência.


Daiana Santos durante a aula questiona como o corpo pode ser considerado um território.

Essas reflexões levaram a discussão sobre como os corpos e mão de obra negros são utilizados por meio das estruturas sociais. E, como são vistos nos lugares que estão e ocupam. “Quais estratégias temos para mudar as representações dos nossos corpos negros na sociedade? Pois, existem estratégias para que ocupemos sempre lugar subalternizados, nunca em posições de poder.  A resistência do Povo Negro e das Mulheres Negras foi travada a partir de estratégias elaboradas, produzidas por mulheres negras e que foram invisibilizadas. É fundamental a leitura e valorização de mulheres negras que forjadas na luta teorizam e elaboraram sobre as estratégias de sobrevivência do povo negro frente a um Estado genocida.  Mulheres como Lélia Gonzales, Luiza Bairros, Carolina de Jesus e tantas outras. E são estratégias que devemos conhecer, devemos nos munir da produção teórica dessas pensadoras negras”, afirma Reginete Bispo, coordenadora da Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos.

Ao final dividas em grupos, cada uma das alunas desenvolveu sua própria narrativas de suas memórias, suas experivivências. Motivadas pela leitura do texto “Frango verde: alimentando-me do lixão”, da escritora Tulipa Bilar. Um texto cheio de simbologia sobre o que sobra ao povo negro ou em situação de vulnerabilidade social. Ainda, as Dandaras produziram artes com a técnica de stencil, como demonstração de uma das formas de extensão de nossos corpos.


A aluna Rossana do Carmo lendo o texto "Frango verde: alimentando-me do lixo" de autoria de Tulipa Bilar.

Confira abaixo a galeria de fotos do 3º Encontro da Turma B do Curso Dandaras:





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