A saúde da população negra em debate

O objetivo era problematizar as desigualdades raciais no Brasil, principalmente na área da saúde.


No dia 28 de junho, as alunas da Turma A do Curso Dandaras debateram a saúde da população negra, durante disciplina ministrada por Elaine Oliveira Soares, que possui graduação em Enfermagem pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2003) e coordenadora da Área Técnica da Saúde da População Negra, no município de Porto Alegre. O objetivo da disciplina era problemetizar as desigualdades raciais no Brasil, principalmente na área da saúde, assim como aprofundar o conhecimento dos mecanismos institucionais de promoção de igualdade racial, principalmente a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

"O direito à saúde é fundamento constitucional e condição substantiva para o exercício pleno da cidadania, sendo estratégico para a promoção da equidade em saúde", afirma Elaine durante aula. Foto: Roselita de Campos

Para tal, foram abordadas a formação social e a questão racial no Brasil para pensar as atuais políticas públicas de promoção da igualdade racial em perspectiva. Mais especificamente, no campo de campo de reflexões e intervenções políticas em torno da saúde da população negra, que se conforma no país, a partir da década de 1960, com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e as reivindicações do movimento negro da necessidade de políticas de Estado que atendam amplamente as iniqüidades raciais no acesso a serviços públicos (saúde, educação, assistência social) e ao mercado de trabalho.

Alguns conceitos chaves foram desvendados durante a disciplina para entender a política da saúde da população negra, principalmente o de racismo institucional, que emerge como organizador de uma nova pauta de ações que possibilita a mobilização dos gestores, dos profissionais da área e usuários em busca da redução daquelas desigualdades. “Este conceito permite não apenas uma compreensão mais ampla sobre a produção e reprodução das desigualdades raciais brasileiras, como, também, aumenta as possibilidades de resgatar, nas políticas públicas e nas políticas organizacionais, novas frentes de desconstruir o racismo e promover a igualdade racial, desalojando o debate do plano exclusivo das relações interpessoais, para relocalizá-lo nos termos da sua dimensão política e social”, afirma Elaine.


 

Texto: Maria Helena dos Santos

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