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As alunas do Curso Dandaras debatem o corpo como um território de construção política

Assim discutem as estratégias mais recorrentes de representações identitárias dos corpos negros na contemporaneidade.


O imaginário social a respeito de corpos negros reproduzem imagens e representações que fazem parte de um conjunto de estereótipos marcados por preconceitos étnico-raciais que influenciam e ao mesmo tempo reforçam a condição do negro na sociedade brasileira. Ainda que compartilhem a mesma matriz racial, homens e mulheres negros e negras ocupam lugares diferentes nessa representação em razão do recorte de gênero, considera-se aqui a interseccionalidade, ou seja, a mulher negra vive em uma situação marcada pela dupla discriminação: ser mulher negra em uma sociedade machista e ser negra em uma sociedade racista. Quando falamos dá mulher negra transexual, homossexual ou bissexual o cenário é pior, pois estas têm que enfrentar, além do racismo, uma sociedade homofóbica e transfóbica.


As alunas do Curso Dandaras reunidas na Assembleia Legislativa do RS discutem estratégias de resistência e de luta.

O combate ao racismo sem dúvida perpassa a desconstrução de tais representações. Algo debatido e discutido no último sábado (27/07) pelas alunas da Turma B do Curso Dandaras – Construindo o Pensamento Crítico e Promovendo a Formação Política com Mulheres Negras no RS, durante a disciplina “Cultura, Corpo e Identidades”, ministrada por Daiana Santos, sanitarista e educadora social.

A partir da análise de manchetes de portais de notícias que retratavam as violências que atingem os corpos negros na conjuntura política atual. A taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 29,9% e 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil em 2017 eras negras, conforme dados do Atlas da Violência de 2019. “Precisamos refletir o que essa sensação de insegurança gera em nossos corpos. Eu trabalho no projeto Ação Rua, um serviço que atende moradores de rua em um espaço sócio-educativo que está inserido em todo um contexto de criminalização. As ruas desta cidade têm cor: ela é preta. Falar sobre violência é fundamental para nos compreendermos essa realidade vivida pela população negra que não tem acesso à educação e moradia. Qual lugar foi nos dado após abolição da escravatura”, afirma Daiana.

Daiana Santos, educadora social, instiga as alunas a refletirem sobre as últimas manchetes que envolvem violência, política e educação.

Após a reflexão conjunta dos aspectos do racismo que impactam em nossas vidas as Dandaras assistiram o documentário “A LUTA pelos DIREITOS das DOMÈSTICAS”, uma produção do Canal Preto. No filme as trabalhadoras domésticas contam a dura realidade da profissão, muitas vezes iniciada ainda na infância – de forma ilegal – enfrentando assédio moral e diversos abusos por parte dos seus empregadores. Explicam também como a organização das trabalhadoras tem trazido mudanças e mais dignidade ao trabalho realizado por elas, seja por conta das denúncias fiscalizadas ou pelo conhecimento adquirido para cobrar os seus direitos. O detalhe é que a maioria delas é negra, como diria Preta Rara, a senzala moderna é o quartinho da empregada. O objetivo desta atividade era levantar uma reflexão conjunta sobre a questão dos lugares que os corpos negros estão condicionados em nossa sociedade.

Ao final do encontro, para amenizar as dores repercutidas durante a reflexão levantada, as Dandaras participaram de uma dinâmica de troca de afeto e generosidade, pois o que as une não é a dor, mas a resistência. Assim, ao som do álbum Padê interpretado por Juçara Marçal, com os olhos fechados uma abraçou a outra de maneira fraterna, transmitindo palavras de carinho e atenção.

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