Dandaras discutem em aula a liberdade restritiva dos corpos negros

Alunas da Turma B do Curso Dandara refletem sobre a compreensão de onde o negro está dentro do sistema e como operar dentro dele a partir de uma perspectiva negra.


Winnie Bueno provoca uma reflexão sobre a tensão entre ativismo e opressão.

No último sábado (24/08) ocorreu, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o sexto encontro da turma B do Curso Dandaras: Construindo o Pensamento Crítico e Promovendo Formação Política com Mulheres Negras. Na parte da manhã, as alunas do curso participaram da segunda parte da disciplina “Gênero e Feminismo Negro”, ministrada pela Winnie Bueno, Mestre em Direito e ativista social. Continuando a discussão do dia anterior, mas agora com o foco nas principais organizações do movimento negro brasileiro, principalmente aquelas lideradas por mulheres negras.

As alunas do Curso Dandaras reunidas no seu sexto encontro.

Durante a aula, se discutiu a origem desses movimentos, que são um reflexo da tensão entre o ativismo e a opressão. Assim, as alunas debateram sobre as dinâmicas de poder e o estabelecimento de redes de confiança entre mulheres negras diante da luta por sobrevivência individual e coletiva. Partindo da premissa que esses movimentos são múltiplos e plurais, devido à diversidade existente entre as mulheres negras (de condições sociais, de geração, culturais, de sexualidade etc), existe a necessidade de intervirem de uma forma mais articulada na construção de agendas políticas próprias. Como, por exemplo, os encontros nacionais de mulheres negras promovidos com autonomia financeira das organizações de mulheres negras de todos os estados brasileiros que geraram formulações e propostas que constituem eixos para ação do movimento.

Desta forma, as alunas desenvolveram durante a disciplina uma compreensão mais aprofundada do acúmulo histórico e teórico das experiências das mulheres negras ativistas e militantes. “A pergunta quero vocês refletiram para além das alternativas de sobrevivência, que estratégias para tomada de poder nós enquanto agentes políticos sociais, ativistas ou militantes, devemos construir. Já temos elementos e teorias o suficiente para responder essa demanda social do nosso povo. Temos que ir além de uma discussão central voltada para estética negra e do regaste da humanidade dos corpos negros. Afinal, o que o movimento de mulheres negras contemporâneo irá deixar para as futuras gerações?”, questiona Reginete Bispo, coordenadora da Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnias, as alunas ao final da aula.

O Atlântico Negro: o conceito de diáspora em voga

Na tarde, durante a segunda aula da disciplina “História da África e Brasil Colônia”, ministrada pelo José Rivair, Doutor em História Social e professor titular do Departamento de História da UFGRS, as alunas estudaram o conceito de diáspora africana, com fundamentação teórica e metodológica a partir das obras de Paul Gilroy e Stuart Hall. “Existe uma originalidade de uma história negra fora da áfrica, mesmo motivada por uma desterritorialização coercitiva, mas com muita resistência. Uma resistência negra que ainda continua existindo, tendo em parte uma África como raiz e ao mesmo tempo reinventando-se”, afirma Rivair.

José Rivair debate com as alunas sobre a diáspora negra e o Brasil.

Desta forma, abriu-se uma discussão entre as participantes, em certa medida, sobre as ações políticas na contemporaneidade que se dão no encontro desses povos negros que primeiro lutavam pelo direito de sobreviver, pois continuar existindo é uma forma de resistência, e que posteriormente lutam pela liberdade. Assim, foi debatida a história do mundo negro para além das estruturas escravocratas, uma história de identidades fragmentadas e nunca completas, mas que se reconstroem por meio do corpo. Ainda, discutiu-se o conceito de quilombo, desenvolvido por Beatriz Nascimento, a partir de sua pesquisa sobre os quilombos, suas reflexões acerca do racismo e da situação da mulher negra no Brasil, e principalmente sua colaboração no documentário Ôrí, lançado em 1989. E, também, a potência do quilombo como projeto político a partir da teoria do Quilombismo de Abdias Nascimento, um projeto de transformação social a partir de uma perspectiva negra. Assim como foi discutido o conceito de “Amefricanidade”, termo cunhado por Lélia Gonzales para indicar um enfoque sobre a formação histórico-cultural das Américas que considera as influências africanas e indígenas.

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