Uma luta em silêncio: Gênero e o feminismo negro

O reconhecimento do feminismo negro como produtor de conhecimento.

Há a necessidade do reconhecimento do nosso pensamento sobre o feminismo negro, o reconhecimento do lugar de produção do conhecimento desse movimento como lugar de revolução. As aulas da disciplina Gênero e Feminismo Negro do Curso Dandaras – Construindo o Pensamento Crítico e Formação Política com Mulheres Negras no RS, ministrada pela professora Winnie Bueno, mestre em Direito pela Universidade do Vale Rio dos Sinos (Unisinos/RS), teve como objetivo suprimir essa necessidade.


"O feminismo negro não é um contraponto ao feminismo branco, tampouco uma fração, um recorte de raça do feminismo com um todo", afirma Winnie Bueno, durante aula. Foto: Fayola Bispo

A partir do pensamento de três intelectuais negras: Patrícia Hill Collins, Sueli Carneiro e Luiza Bairros, promoveu-se um tipo de tensionamento a respeito do conceito de interseccionalidade, o qual foi articulado a partir de sua dimensão analítica, política e espistêmica. Desde as resistências articuladas nas lutas abolicionistas e no processo de resistência as violências da escravização de pessoas negras, mulheres negras tem centralizado como que as dinâmicas de raça, gênero e status de cidadania irão afetar a forma como que os sistemas de dominação se articulam para produzir violências e ideologias que são operadas para justificar o tratamento que mulheres negras recebem pelas instituições. “O feminismo negro não é um contraponto ao feminismo branco, tampouco uma fração, um recorte de raça do feminismo com um todo. No entanto o feminismo negro é uma forma de reconhecer a organização política das ancestrais e suprimir o silenciamento das experiências das mulheres negras na própria história da constituição do feminismo. Ainda existe um privilégio na produção de conhecimento, ao passo que as construções das mulheres negras seguem pautadas: racialização, sexualidade e classe social. Nesse sentido, também promover o resgate da humanidade, entender como as matrizes de dominação provocaram os furos históricos e o privilégio intelectual que organizou o pensamento cientifico sociológico”, afirma Winnie.

Durante a disciplina, também, foram debatidos os marcos iniciais do Feminismo Negro, as Ondas Feministas e os Movimentos Negros. Dando-se destaque aos Clubes Negros, diferenciando-se os papéis de gênero nas organizações, o cavalheirismo negro e a valorização da beleza negra, assim, como também, a relação da  Imprensa Negra com os Clubes. Também, foi abordada a influência dos movimentos  de direitos civis norte-americanos, relacionando-os com a importância do Movimento Negro Unificado.


Texto: Maria Helena dos Santos

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