Aula Pública do Curso Dandaras debate sobre gênero, raça e justiça

Atualizado: 18 de Set de 2019

O professor Edileny Tomé da Mata discute em aula os espaços de poder e de justiça social fora daqueles institucionalizados.


Na última sexta-feira (13/08), a Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Raça, Gênero e Etnias promoveu, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, uma Aula Pública do Curso Dandaras: Construindo o Pensamento Crítico de Mulheres Negras no Rio Grande do Sul. O professor convidado para ministrar a aula foi Edileny Tomé da Mata, nacional de São Tomé e Príncipe, arquipélago do Golfo da Guiné, é um pesquisador aficionado em realizar streap and tease e mostrar outra cara da sociedade oculta, marginada e silenciada. A aula foi mediada por Reginete Bispo, cientista social e coordenadora geral do Instituto Akanni, e Rosângela Lopes, advogada assistente voluntária atuante na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul.


Reginete Bispo (E), cientista social, Rosângela Lopes (C), advogada, Edileny Tomé da Mata (D),Doutor com acreditação européia pela Universidad Pablo de Olavide, Sevilla (Espanha).

Durante a aula Edileny instigou os participantes a refletirem sobre raça, gênero e justiça a partir das subjetividades criadas pelas fronteiras do sistema jurídico, entendida como fronteira perfeita, delimitadas tanto  na cidade de Porto Alegre quanto no estado do Rio Grande do Sul. O professor Edileny é Licenciado em Direito pela Université Mohamed Premier Oujda (Marracos), título reconhecido pela ENIC-NARIC (Francia), possui Certificado em Curso de Gestão de Projetos pelo Centro EUROINNOVA e Mestrado em Direitos Humanos, Interculturalidade e Desenvolvimento pela Universidad Pablo de Olavide.


“A participação de negros e negras nos espaços de tomadas de decisão tanto político como judiciário tem que ser emancipadora com o intuito de promover uma transformação social", afirma Edileny durante aula.

“A participação de negros e negras nos espaços de tomadas de decisão tanto político como judiciário tem que ser emancipadora com o intuito de promover uma transformação social. Pois, a normalidade social e democrática norteada pelo centralismo institucional jurídico sempre é em detrimento das categorias subalternizadas, assim não dialoga com as práticas de direitos pefirizadas. Desta forma quando nós ocupamos esses espaços temos que levantar as bandeiras das nossas subjetividades como elementos de integração para quebrar com a normalidade imposta pelas classes dominantes, pois o conservadorismo se transforma na luta e nos espaços de luta que construímos”, afirmou Edileny durante a aula. Ao final as(os) participantes tiraram suas dúvidas sobre como criar estratégias para tornar acessível a instrumentalização das leis e os espaços de tomada de poder fora daqueles institucionalizados. “O fortalecimento coletivo se dá no individual para compreender isso devemos entender como as estruturas de dominação são criadas que colocam as mulheres, negros e deficientes em subcategorias humanas. Assim, como compreender que nem todos têm predisposição para as lutas é crucial para darmos voz às vozes abafadas com suas próprias linguagens, sentidos e significados. Ter um posicionamento crítico em relação como as leis são criadas perpassam por essa compreensão. O Orçamento Participativo é um exemplo disso, dessa representatividade pública, pois as garantias de direitos sociais não são dadas apenas pelas instituições jurídicas”, concluiu Edileny.

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